Março é tradicionalmente marcado por reflexões sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida das mulheres. Entre os temas que merecem atenção está a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva.

A SAÚDE FEMININA
Março é tradicionalmente marcado por reflexões sobre saúde, bem-estar e qualidade de vida das mulheres. Entre os temas que merecem atenção está a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP), uma das alterações hormonais mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva.
A condição interfere no funcionamento dos ovários e pode provocar mudanças no ciclo menstrual, na fertilidade e no metabolismo. Além disso, sintomas como acne, aumento de pelos, queda de cabelo e dificuldade para emagrecer podem impactar diretamente a autoestima e a qualidade de vida.
Embora a SOP esteja associada a fatores hormonais e metabólicos, especialistas destacam que o estilo de vida desempenha um papel fundamental no controle dos sintomas.
Segundo a nutricionista Jordana Lessa, parceira da rede Engenharia do Corpo, hábitos saudáveis como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física e acompanhamento profissional podem contribuir significativamente para o manejo da síndrome.
"A alimentação e o estilo de vida têm um papel fundamental no controle da SOP. Muitas mulheres conseguem melhorar muito os sintomas quando ajustam hábitos alimentares, praticam atividade física e melhoram seu estilo de vida."
O que é a Síndrome dos Ovários Policísticos
A Síndrome dos Ovários Policísticos é um distúrbio hormonal que altera o funcionamento normal dos ovários. Mulheres com SOP costumam apresentar aumento na produção de hormônios androgênicos, conhecidos popularmente como hormônios masculinos.
Esse desequilíbrio hormonal pode interferir no processo de ovulação, provocando irregularidade menstrual, ciclos mais longos ou até ausência de menstruação.
O nome da síndrome está associado à presença de múltiplos pequenos folículos nos ovários, que podem ser observados em exames de ultrassom. No entanto, nem todas as mulheres com SOP apresentam essa característica.
Apesar do nome sugerir apenas alterações nos ovários, a SOP envolve todo o metabolismo da mulher, principalmente quando há resistência à insulina associada.
Principais sintomas da SOP
Os sinais da síndrome podem variar bastante entre as mulheres. Em alguns casos, os sintomas são mais evidentes. Em outros, o diagnóstico ocorre apenas após investigação de alterações menstruais ou dificuldade para engravidar.
Entre os sintomas mais comuns estão:
- ciclos menstruais irregulares
- ausência de menstruação por longos períodos
- dificuldade para engravidar
- acne persistente ou mais intensa
- aumento de pelos no rosto, abdômen ou costas
- queda de cabelo ou afinamento dos fios
- ganho de peso ou dificuldade para emagrecer
- acúmulo de gordura abdominal
De acordo com Jordana Lessa, muitas mulheres também relatam sintomas relacionados ao metabolismo.
"É comum que pacientes com SOP relatem dificuldade para perder peso, mesmo seguindo dieta e mantendo uma rotina de exercícios físicos. Em muitos casos isso acontece porque existe resistência à insulina associada."
SOP e resistência à insulina
A resistência à insulina é um dos fatores frequentemente associados à síndrome.
Nesse quadro, as células do organismo apresentam dificuldade em responder à ação da insulina. Como consequência, o corpo passa a produzir maiores quantidades desse hormônio.
Esse aumento pode estimular os ovários a produzirem mais hormônios androgênicos, agravando sintomas como acne, irregularidade menstrual e crescimento de pelos.
Além disso, a resistência à insulina pode contribuir para:
- maior facilidade para ganhar peso
- aumento da gordura abdominal
- maior risco de diabetes tipo 2
- maior risco de síndrome metabólica
"Quando conseguimos melhorar a sensibilidade à insulina por meio da alimentação e da atividade física, muitas pacientes percebem melhora no ciclo menstrual, na disposição e até na facilidade para emagrecer", explica Jordana.
Como a alimentação pode ajudar no controle da SOP
A alimentação é uma das ferramentas mais importantes no controle da síndrome, principalmente quando o objetivo é melhorar a sensibilidade à insulina e reduzir processos inflamatórios.
Uma estratégia nutricional equilibrada ajuda a estabilizar os níveis de glicose no sangue, reduzir picos de insulina e favorecer o equilíbrio hormonal.
Segundo Jordana Lessa, alguns pilares nutricionais são essenciais.
"Uma alimentação rica em alimentos naturais, fibras, proteínas de qualidade e gorduras boas ajuda muito no controle da SOP. Ao mesmo tempo, é importante reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar."
Entre as estratégias alimentares recomendadas estão:
Priorizar alimentos com baixo índice glicêmico
Esses alimentos liberam glicose de forma mais lenta no organismo e ajudam a evitar picos de insulina.
Exemplos:
- aveia
- chia
- psyllium
- arroz integral
- vegetais
- feijão, lentilha e grão-de-bico
Aumentar o consumo de fibras
As fibras ajudam a controlar a glicemia e promovem maior saciedade.
Boas fontes:
- frutas
- vegetais
- sementes
- grãos integrais
Incluir proteínas nas refeições
As proteínas ajudam a estabilizar a glicemia e aumentam a sensação de saciedade.
Exemplos:
- ovos
- frango
- peixe
- iogurte natural
- tofu
- leguminosas
Consumir gorduras saudáveis
Gorduras boas têm papel importante no equilíbrio hormonal e na redução de inflamações.
Entre as opções:
- azeite de oliva
- abacate
- castanhas
- sementes de chia e linhaça
Hábitos que também ajudam no controle da SOP
Além da alimentação, outros fatores do estilo de vida influenciam diretamente no controle da síndrome.
Entre eles:
- prática regular de atividade física
- controle do estresse
- sono de qualidade
- acompanhamento profissional
Cada mulher com SOP apresenta necessidades diferentes. Por isso, o acompanhamento nutricional individualizado é fundamental para ajustar a alimentação e melhorar os sintomas ao longo do tempo.
Quando procurar ajuda profissional
Sintomas como irregularidade menstrual frequente, acne persistente, aumento de pelos ou dificuldade para emagrecer devem ser avaliados por profissionais de saúde.
O diagnóstico precoce permite iniciar estratégias que ajudam a equilibrar o metabolismo, controlar os sintomas e reduzir riscos metabólicos no futuro.
"A boa notícia é que, com orientação adequada e mudanças no estilo de vida, muitas mulheres conseguem controlar muito bem a SOP e melhorar significativamente sua qualidade de vida", conclui a nutricionista.


