Mesmo vivendo em um país conhecido pela abundância de sol, milhões de brasileiros apresentam níveis insuficientes de vitamina D. A situação se torna ainda mais relevante durante o inverno, quando as temperaturas mais baixas fazem com que as pessoas passem menos tempo ao ar livre, utilizem roupas que cobrem grande parte do corpo e reduzam a exposição à luz solar.
Embora seja frequentemente associada à saúde dos ossos, a vitamina D exerce funções muito mais amplas no organismo. Ela participa do funcionamento do sistema imunológico, da contração muscular, da saúde cardiovascular, do metabolismo e até de processos relacionados ao cérebro e ao humor.
Para quem pratica atividade física, manter níveis adequados dessa vitamina também é importante para favorecer o desempenho, a recuperação muscular e o funcionamento adequado do organismo.
Mas afinal, por que a deficiência de vitamina D é tão comum mesmo em um país tropical? E quando ela realmente merece atenção?

Vitamina D no inverno
O que é a vitamina D?
Apesar do nome, a vitamina D funciona, na prática, como um hormônio.
Sua principal forma de produção acontece na pele, por meio da exposição à radiação ultravioleta B (UVB) proveniente do sol. Após esse processo, ela passa por transformações no fígado e nos rins até se tornar biologicamente ativa e desempenhar suas funções no organismo.
Tradicionalmente conhecida por regular o metabolismo do cálcio e do fósforo, a vitamina D é essencial para:
- formação e manutenção dos ossos;
- fortalecimento dos dentes;
- contração muscular;
- funcionamento do sistema nervoso;
- equilíbrio do sistema imunológico.
Nos últimos anos, estudos também identificaram receptores de vitamina D em praticamente todos os tecidos do corpo humano, reforçando sua participação em diversos processos fisiológicos.
Por que a vitamina D costuma diminuir durante o inverno?
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, a deficiência de vitamina D não está relacionada apenas a países com pouca incidência solar.
Mesmo no Brasil, o inverno pode favorecer a redução dos níveis dessa vitamina por diferentes motivos.
Menor exposição ao sol
Nos dias frios, é natural que as pessoas permaneçam mais tempo em ambientes fechados e reduzam atividades ao ar livre.
Com menos contato direto com a luz solar, o organismo produz menos vitamina D.
Roupas que cobrem quase todo o corpo
Casacos, calças, mangas longas, gorros e cachecóis diminuem significativamente a área da pele exposta ao sol.
Quanto menor a superfície exposta à radiação UVB, menor tende a ser a produção natural da vitamina.
Menor incidência de radiação UVB
Durante o inverno, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, o ângulo dos raios solares muda, reduzindo a intensidade da radiação UVB que chega à superfície.
Isso significa que, mesmo em dias ensolarados, a capacidade de síntese da vitamina D pode ser menor.
Rotina em ambientes fechados
Trabalho, estudos, academias, transporte e lazer em locais fechados fazem parte da rotina da maioria dos brasileiros.
Vale lembrar que a luz solar que atravessa vidros praticamente não estimula a produção de vitamina D pela pele.
Por que a deficiência de vitamina D é tão comum no Brasil?
Embora o país possua elevada incidência solar durante boa parte do ano, diversos estudos mostram que a insuficiência de vitamina D é frequente entre os brasileiros.
Isso acontece porque sua produção depende de uma combinação de fatores individuais e ambientais.
Entre eles estão:
- idade;
- tom de pele;
- índice de massa corporal;
- tempo de exposição ao sol;
- horário da exposição;
- estação do ano;
- uso frequente de protetor solar;
- poluição;
- doenças intestinais que dificultam a absorção;
- doenças hepáticas e renais.
Pessoas com pele mais escura, por exemplo, apresentam maior quantidade de melanina, pigmento que reduz a eficiência da síntese da vitamina D. Como consequência, geralmente necessitam de maior tempo de exposição solar para produzir a mesma quantidade da vitamina.
Já pessoas com obesidade costumam apresentar concentrações menores porque parte da vitamina D fica armazenada no tecido adiposo, reduzindo sua disponibilidade na circulação sanguínea.
Quais são os principais sintomas da deficiência?
A deficiência de vitamina D costuma ser silenciosa.
Em muitos casos, ela só é identificada após exames laboratoriais solicitados por um profissional de saúde.
Quando os sintomas aparecem, eles podem incluir:
- fadiga frequente;
- fraqueza muscular;
- dores musculares;
- dores ósseas;
- dificuldade de recuperação após exercícios;
- infecções recorrentes;
- alterações de humor;
- cicatrização mais lenta;
- maior risco de quedas, especialmente em idosos.
Em situações prolongadas, a deficiência também pode favorecer problemas como osteomalácia em adultos, além de aumentar o risco de osteoporose e fraturas.
Vitamina D fortalece a imunidade?
Sim, mas é importante entender como isso acontece.
A vitamina D participa da regulação do sistema imunológico, auxiliando tanto na imunidade inata quanto na adaptativa.
Ela influencia a produção de peptídeos antimicrobianos, substâncias que ajudam o organismo a responder de maneira mais eficiente contra vírus, bactérias e outros agentes infecciosos.
No entanto, isso não significa que tomar vitamina D indiscriminadamente seja uma forma de prevenir gripes, resfriados ou outras doenças.
Segundo a nutricionista Jordana Lessa, esse é um dos equívocos mais comuns.
“Um erro muito comum é acreditar que a vitamina D funciona como uma espécie de escudo contra todas as doenças. O objetivo da suplementação é corrigir uma deficiência quando ela existe, e não utilizar doses elevadas sem necessidade.”
Além de não trazer benefícios para pessoas com níveis adequados, o uso sem orientação pode representar riscos à saúde.