O dia 11 de outubro é uma oportunidade para ampliar a conscientização sobre a obesidade, uma condição crônica e multifatorial que representa um importante desafio para a saúde pública.
Apesar de ainda ser frequentemente associada à falta de disciplina ou ao excesso de comida, a realidade é muito mais complexa. Fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais, emocionais, sociais e comportamentais podem influenciar o desenvolvimento e a manutenção dessa condição.
A obesidade não deve ser tratada como uma falha individual, mas como uma questão de saúde que exige informação de qualidade, prevenção e acompanhamento profissional.
O excesso de gordura corporal pode aumentar o risco de diferentes complicações, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, apneia do sono e alguns tipos de câncer.
Entretanto, é importante compreender que o cuidado não deve se limitar ao número apresentado na balança.
A avaliação da saúde envolve diferentes aspectos, incluindo exames laboratoriais, histórico clínico, composição corporal, qualidade do sono, alimentação, atividade física e bem-estar emocional.
Segundo a nutricionista Jordana Lessa:
O peso corporal é apenas uma parte da avaliação. Precisamos olhar para a saúde como um todo, compreender a realidade de cada pessoa e identificar quais mudanças podem contribuir para uma melhor qualidade de vida, respeitando suas necessidades e possibilidades.
Por que emagrecer nem sempre é tão simples?
Uma das ideias mais comuns sobre a obesidade é a de que basta comer menos e se movimentar mais.
Embora o balanço energético seja relevante para as mudanças no peso corporal, essa explicação, isoladamente, não contempla todos os fatores envolvidos.
O organismo possui mecanismos que regulam a fome, a saciedade e o gasto energético. Após a perda de peso, por exemplo, podem ocorrer adaptações fisiológicas que aumentam a fome e reduzem o gasto energético, tornando a manutenção do resultado mais desafiadora.
Além disso, dietas excessivamente restritivas podem favorecer cansaço, fome intensa, preocupação constante com a comida e dificuldade para sustentar as mudanças ao longo do tempo.
Jordana Lessa destaca:
Não se trata de encontrar uma dieta cada vez mais restritiva, mas de construir uma estratégia alimentar que seja nutricionalmente adequada, possível de manter e compatível com a rotina de cada pessoa. O tratamento precisa considerar tanto a fisiologia quanto o comportamento alimentar.
Como a alimentação contribui para a prevenção e o tratamento?
Uma alimentação equilibrada é uma das ferramentas importantes no cuidado com a obesidade.
Mais do que excluir alimentos ou seguir regras rígidas, o objetivo é construir uma rotina alimentar que favoreça a saúde e possa ser mantida no longo prazo.
Algumas estratégias que podem contribuir incluem:
- priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões e cereais integrais;
- incluir fontes de proteínas e fibras nas refeições, favorecendo a saciedade e a qualidade nutricional da alimentação;
- reduzir a frequência de consumo de alimentos ultraprocessados, sem transformar a alimentação em uma lista de proibições;
- estabelecer uma rotina alimentar compatível com as necessidades individuais, evitando restrições desnecessárias;
- associar uma alimentação adequada à prática regular de atividade física, ao sono de qualidade e ao cuidado com a saúde mental.
Essas orientações precisam ser individualizadas.
Não existe uma única dieta capaz de atender às necessidades de todas as pessoas. Resultados sustentáveis dependem de estratégias que considerem o contexto de vida, as preferências, as condições de saúde e as dificuldades de cada indivíduo.
Combater a obesidade também é combater o preconceito
Pessoas com obesidade frequentemente enfrentam julgamentos relacionados à aparência e ao peso, inclusive em ambientes de saúde.
Esse estigma pode provocar sofrimento emocional, afastar as pessoas dos serviços de atendimento e dificultar a busca por ajuda.
O acolhimento é parte fundamental do cuidado.
Em vez de culpabilizar, é necessário oferecer escuta, orientação baseada em evidências e acesso a tratamentos adequados.
O acompanhamento pode envolver nutricionista, médico, psicólogo e outros profissionais, conforme as necessidades de cada pessoa.
Em determinadas situações, medicamentos e procedimentos cirúrgicos também podem fazer parte do tratamento, sempre mediante avaliação e indicação clínica individualizadas.
Prevenir a obesidade não significa buscar um corpo ideal
Neste Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, o convite é para repensar a maneira como falamos sobre peso, alimentação e saúde.
A prevenção começa com o acesso à informação, mas também depende de condições que favoreçam escolhas saudáveis e de um cuidado profissional livre de julgamentos.
Combater a obesidade não é incentivar a busca por um corpo ideal, mas promover saúde, qualidade de vida e acesso ao tratamento adequado.
Pequenas mudanças, quando construídas de forma consistente e acompanhadas por profissionais capacitados, podem contribuir para resultados importantes ao longo do tempo.
Mais do que cobrar mudanças, precisamos oferecer suporte para que elas sejam possíveis.
Este conteúdo possui finalidade informativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou tratamento individualizado.
Fonte técnica: Jordana Lessa, nutricionista.

Dia Nacional de Prevenção da Obesidade;