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Se você entrou em um supermercado recentemente, provavelmente percebeu: a proteína tomou conta das prateleiras.

Iogurte proteico, pão proteico, barrinha, sobremesa, café, bebida e até água com proteína. Parece que qualquer alimento pode, e talvez até precise, ganhar uma versão enriquecida com esse nutriente.

Mas será que precisamos mesmo de proteína em tudo?

Proteína é importante. Mas quanto é suficiente?

Antes de tudo, proteína não é vilã. Muito pelo contrário.

Ela participa da construção e manutenção dos músculos, além da formação de enzimas, hormônios e anticorpos e de diversos processos fundamentais para o organismo.

Proteína em tudo: será que estamos exagerando?

Proteína em tudo: será que estamos exagerando?

Para adultos saudáveis, a recomendação de referência é de aproximadamente 0,8 g de proteína por quilo de peso corporal ao dia. Porém, isso não significa que esse valor seja adequado para todas as pessoas.

Quem pratica exercícios regularmente, especialmente treinamento de força, pode apresentar necessidades maiores. Idade, objetivo, composição corporal, estado nutricional e condições fisiológicas ou clínicas também influenciam essa necessidade.

Por isso, a pergunta mais adequada não é "quanto mais proteína, melhor?", mas:

"Quanto de proteína faz sentido para mim?"

Mais proteína significa mais músculos?

Não necessariamente.

A construção muscular não depende apenas da quantidade de proteína consumida. Treinamento adequado, ingestão de energia suficiente, distribuição das refeições, sono e recuperação também fazem parte do processo.

Depois que a necessidade individual de proteína já está sendo atendida, simplesmente adicionar cada vez mais pode trazer benefícios progressivamente menores.

E existe outro ponto importante: quando um nutriente passa a ocupar espaço demais na alimentação, outros podem acabar ficando de lado.

Fibras, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e compostos bioativos também são fundamentais para a saúde.

Todo alimento precisa ser proteico?

Não.

Uma banana continua sendo uma ótima opção mesmo sem ter 20 g de proteína. Uma batata não precisa ser "proteica". E o tradicional arroz com feijão não precisa ganhar um rótulo fitness para ser uma boa escolha.

O problema não está nos produtos enriquecidos com proteína, mas na ideia de que eles são automaticamente superiores.

Um iogurte proteico pode ser uma alternativa prática para alguém que tem dificuldade de atingir sua necessidade diária. O whey protein pode facilitar um lanche ou pós-treino. Uma bebida ou barrinha proteica também pode ajudar em uma rotina corrida.

São ferramentas. Não precisam se transformar em regra.

Afinal, quanto de proteína devo consumir?

Não existe um número universal.

A quantidade adequada depende de fatores como peso, idade, atividade física, frequência e tipo de exercício, objetivo, ingestão energética, condições clínicas e fase da vida.

Por isso, recomendações como "todo mundo precisa consumir 2 g de proteína por quilo" não fazem sentido para todas as pessoas.

Antes de escolher o produto da moda, é preciso entender a necessidade individual.

Equilíbrio continua sendo a palavra-chave

Na próxima vez que encontrar um produto com "+ proteína" estampado na embalagem, vale pensar: eu realmente preciso aumentar minha ingestão? Esse produto facilita minha rotina? Minha alimentação também tem frutas, verduras, legumes, feijão, cereais, boas fontes de gordura e fibras?

Uma alimentação equilibrada não é aquela com o maior número de produtos proteicos no carrinho.

É aquela que atende às suas necessidades, respeita seus objetivos e sua rotina e, principalmente, faz sentido na vida real.

No fim, talvez a mensagem seja mais simples do que parece:

Não precisamos de proteína em tudo. Precisamos de proteína suficiente, e de espaço para todo o resto também.

Conteúdo elaborado a partir das orientações da nutricionista Jordana.

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